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Emergências Radiológicas

As emergências radiológicas representam um grande desafio para as populações e para as equipas de salvamento. Este desafio advém não só das consequências dos efeitos radioativos mas também do desconhecimento das populações sobre este tipo de urgências.

 

 

O que são?

As emergências radiológicas são acidentes relacionados com fontes radioativas que envolvem a libertação de radiações ionizantes, exigindo uma resposta urgente por parte dos agentes de segurança para garantir a segurança da população nas zonas afetadas.

Os exemplos mais presentes deste tipo de emergências são os desastres nucleares de Chernobil e Fukushima. No entanto, estes podem ter outras origens que não as centrais nucleares. Nestes casos, falamos da utilização incorreta e negligente de fontes radioativas em áreas como a medicina, a indústria ou a investigação.

 

 

Tipos de Emergências Radiológicas

As emergências radiológicas podem ser muito variadas, dependendo do tipo da fonte, a quantidade de radiação emitida, do tempo de exposição, etc.. No entanto, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atómica, é possível definir cinco categorias tipo de emergências radiológicas:

  • Emergências exclusivamente relacionadas com instalações nucleares;
  • Queda de satélite ou outro objeto espacial com uma fonte propulsora nuclear ou fontes radioativas perigosas;
  • Desaparecimento de uma “fonte radioativa perigosa”;
  • Deteção de elevados níveis de radioatividade de origem desconhecida;
  • Outras emergências radiológicas ou ameaças, tais como acidente no transporte de substâncias radioativas, descoberta de uma "fonte radioativa perigosa", sobre exposição séria de pacientes, e até atos de terrorismo de ataque a instalações nucleares ou ataque terrorista com bombas sujas.

 

 

Resposta a Emergências Radiológicas

A resposta a crises radiológicas tem como principal objetivo garantir a protecção da população, sem, no entanto, esquecer a necessidade de garantir a segurança de todos os que trabalham nas equipas de emergência.

Os mecanismos de resposta perante emergências de natureza radiológica estão organizados em torno das seguintes estruturas:

 

Estrutura de Comando:

A estrutura de comando é constituída pelos elementos e autoridades que coordenam as operações e que definem a estratégia para conter e controlar a emergências. Nesta estrutura estão presentes os seguintes intervenientes:

  • Comandante de Operações de Socorro (COS): É o principal responsável pela resposta à emergência.
  • Grupo de Comando: Tem como função fornecer apoio e aconselhamento ao COS, podendo ser composto por representantes governamentais e por especialistas em mecanismos de resposta para emergências radiológicas e convencionais.
  • Responsável pela Informação Pública: O objetivo deste é evitar o pânico generalizado através da informação fornecida aos meios de comunicação. Se a emergência atingir proporções nacionais, deve ser montado um Centro de Informação Pública.
  • Comando Nacional de Operações de Socorro: Organizados a nível nacional, este centro recebe os pedidos de assistência local e solicita os serviços de um perito radiológico.

 

Estrutura de Planeamento:

  • Coordenador de Resposta Operacional: Responsável por estabelecer a zona de concentração de recursos e meios. Tem ainda como papel determinar os meios necessários para combater a emergência.
  • Coordenador de Planeamento: Elabora os planos de acção de resposta à emergência radioativa. Define as ações para as 24 horas seguintes à emergência. Além disto, tem de elabora o plano de recuperação das áreas afetadas no longo prazo.

 

Estrutura de Operações:

  • Adjunto de Comando no Local: Utilizado em emergências de larga escala tem como papel gerir as operações de resposta no terreno e reportar os acontecimentos ao COS.
  • Equipas de Socorro: Estabelecem o perímetro de segurança e realizam as operações de salvamento, busca e triagem até à chegada das Forças de Segurança e do INEM. Além disto, estão preparados para lidar com os riscos convencionais, como incêndios, e registar as entradas e saídas dos intervenientes da zona de emergência.
  • Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM): É o instituto responsável pela resposta médica no local do incidente, triagem e coordenação da retirada dos doentes. Coordena as operações com o hospital local e avisa o mesmo sobre os riscos e as medidas de proteção apropriadas para receber as vítimas.
  • Forças de Segurança: Responsável por estabelecer o perímetro de segurança e garantir a segurança na zona de emergência e nas áreas adjacentes.
  • Equipa de gestão de provas forenses (EGPF): Realiza a investigação no terreno através da recolha, do exame e controlo das provas. Informa o COS sobre os resultados da investigação e formula a estratégia de prioridades para combater a crise.
  • Perito Radiológico: Avalia as matérias emissoras de radiação alfa, beta, gama e de neutrões. É o responsável pela avaliação de dose e pelo controlo da contaminação. Formula recomendações sobre as medidas de proteção a adoptadas pelas equipas de segurança.

 

 

Perímetro de Segurança e Instalações de Emergência

Depois das equipas de segurança fazerem uma avaliação do tipo de emergência radiológica presente no local, é definido um perímetro de segurança. Este é constituído por uma zona interior vedada que circunda a fonte radioactiva perigosa e por uma zona exterior também vedada que circunda a zona interior.

Entre as duas zonas existe também uma área de segurança onde estão localizadas as instalações de emergência, nomeadamente o posto de comando do incidente, o centro de informação pública, a área de controlo de contaminação da população, o hospital, a morgue improvisada e a zona de armazenamento de resíduos.

 

 

Directrizes para Proteção da População

No local a proteção das populações é a principal preocupação das equipas de salvamento. É essencial que logo nos momentos após a emergência esta seja alertada para os perigos e para os comportamentos que necessita de adoptar.

A população deve ser urgentemente informada que:

  • Não deve entrar em contacto direto, ou indireto, com qualquer tipo de material que seja radioactivo, nem mesmo estilhaços de uma explosão;
  • Não deve fumar, comer, beber ou chegar com as mãos perto da boca;
  • Deve procurar um abrigo;
  • Deve tomar banho e mudar de roupa o mais depressa possível;

Nota: Esta informação é essencial para pessoas que possam ter abandonado a zona de emergência antes das equipas de salvamento terem chegado.

 

 

Membros da população dentro da zona interior vedada

Além de terem de ser informados sobre os comportamentos acima referidos, os indivíduos encontrados dentro da zona interior vedada devem ser retirados do local com a maior rapidez.

Após a retirar os indivíduos da zona interior vedada deve-se:

  • Proceder ao registo dos indivíduos;
  • Caso seja viável, realizar a descontaminação imediatamente;
  • Realizar a avaliação médica/radiológica.

 

 

Membros da população que estejam fora da área vedada

Se ocorrer uma emissão atmosférica (fumo proveniente de um incêndio ou bomba), a população localizada num raio de 1 km deve:

  • Permanecer dentro do edifício durante a emissão;
  • Não comer verduras cultivadas ao ar livre, nem beber água da chuva;
  • Evitar zonas poeirentas ou atividades que façam pó;
  • Estar atenta às notícias divulgadas e seguir as instruções oficiais divulgadas através dos meios de comunicação social;

 

 

Diretrizes para Proteger as Equipas Operacionais

As equipas operacionais desenvolvem uma actividade de grande risco e por isso devem seguir sempre determinadas diretrizes para garantir que trabalham em segurança. Para tal, devem:

  • Seguir os procedimentos de segurança da área profissional;
  • Não tocar ou segurar elementos radioativos, incluindo estilhaços;
  • Realizar as medidas de salvamento a uma distância de:
    • 1 metro de materiais radioativos;
    • 100 metros de um incêndio ou explosão, embora isto não tenha de ser seguido se possuírem proteção respiratória;
  • Minimizar o tempo de exposição sempre que estiverem a uma distância de 10 metros de matérias/fontes radioativas;
  • Utilizar o equipamento de proteção respiratória ou cobrir a boca com uma máscara ou lenço;
  • Manter as mãos fora do alcance da boca, não fumar, comer ou beber e lavar as mãos regularmente;
  • No caso de tratamento e transporte de pessoas contaminadas, utilizar os métodos normais de proteção, como luvas cirúrgicas e máscaras;
  • Submeter-se à monitorização para determinar se existe contaminação após terem estado numa zona interior vedada.

Qualquer trabalhadora que se encontre grávida, ou suspeite estar, deve avisar os seus superiores e não deve participar nas operações de salvamento na zona do incidente.

 

 

Se a dose gama for conhecida…

Se as equipas trabalharem em zonas onde o débito de dose ambiental é superior a 100 mSv/h devem:

  • Levar a cabo exclusivamente acções de salvamento de vidas;
  • Limitar o tempo total de permanência no local a menos de 30 minutos;

Caso sejam detectadas zonas com débito de dose ambiental superiores a 1000 mSv/h, estas não devem acedidas.

 

 

Fonte: Caderno Técnico Prociv nº 8 e Agência Portuguesa do Ambiente




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