Ordem dos Engenheiros e Quercus preocupadas com regime de reabilitação de edifícios
2014-03-20

A Ordem dos Engenheiros (OE) e a Quercus encontram-se bastante apreensivas face ao regime de exceção anunciado pelo Governo para os próximos sete anos na reabilitação de edifícios com mais de 30 anos, temendo que haja um alívio das exigências relativas a risco sísmico ou de eficiência energética.

De acordo com a decisão tomada pelo Governo em Conselho de Ministros a 20 de fevereiro, as regras no que diz respeito à reabilitação de edifícios com mais de 30 anos vão passar a ser menos exigentes, sendo que uma das áreas com mais cortes é a da eficiência energética. O grande objetivo do Governo passa por cortar custos, na casa dos 30 a 40%, de forma a tornar mais apetecível o setor da reabilitação. 

O diploma do Governo ainda não é público e encontra-se para ser promulgado pelo Presidente da República, apesar desse facto, existe, no entanto, um powerpoint que foi apresentado por Jorge Moreira da Silva, ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, que levantou muitas preocupações a Carlos Matias Ramos, o bastonário da OE.

Em declarações prestadas à TSF, Carlos Matias Ramos mostrou-se apreensivo, particularmente nas questões ligadas à segurança estrutural dos edifícios reabilitados, tendo declarado que a OE entende a necessidade de baixar custos e fomentar a reabilitação e o setor da construção civil, mas defendendo que não se deve acabar com todas as regras mínimas.

Carlos Matias Ramos acrescentou ainda que o que foi apresentado pelo Governo não garante, por exemplo, a resistência dos edifícios reabilitados a um sismo.

Já a Quercus, através de Ana Rita Antunes afirmou que é necessário conhecer o diploma, mas os ambientalistas têm várias preocupações, desde logo o corte na eficiência energética e a prevenção dos riscos sísmicos.

João Santa Rita, bastonário da Ordem dos Arquitetos (OA) está menos apreensivo, apesar de também não saber ao certo o que será consagrado no diploma do Governo, considera que é razoável proceder a algum alívio das regras no que toca a reabilitação urbana.

O bastonário da OA crítica somente o facto do regime que o Governo se prepara para aprovar contemplar apenas sete anos de vigência, defendendo que o melhor seria definir um regime de regras definitivo.

O Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia garantiu à TSF que o diploma que define as exigências técnicas mínimas para a reabilitação de edifícios antigos não vai dispensar qualquer regra na área do risco sísmico, mas apenas permitir que certos requisitos técnicos, que já não eram exigidos em grande parte dos municípios, deixem de ser obrigatórios em todo o país.

O ministério afirmou igualmente que o objetivo é terminar com os entraves à reabilitação urbana e acabar com custos que eram impossíveis de pagar. O gabinete de Jorge Moreira da Silva acrescenta que o risco sísmico é uma preocupação do Governo que até será alvo de fundos europeus.

O ministério garantiu ainda que o regime de exceção nunca perderá de vista a salvaguarda da segurança de pessoas e bens.



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