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Ordem dos Arquitetos critica quadro legislativo proposto pelo Governo
2014-03-26
Em
comunicado, a Ordem dos Arquitetos (OA) veio criticar o quadro legislativo
referente à profissão de arquiteto proposto pelo Governo, que segundo a OA
representa um “assinalável retrocesso face
aos diplomas em revisão”.
A Ordem reclama
igualmente a “urgente atualização
e compatibilização do enquadramento legal do exercício da profissão,
profundamente desatualizado nalguns dos seus aspetos e
confuso e contraditório em muitos outros”. Para a OA,
atualmente os arquitetos vivem num ambiente de contínua “degradação e desregulação da profissão”, que não podem somente “associar-se à escassez de encomenda, sendo tão ou mais graves as ações
legislativas e diretivas, nacionais e de âmbito
europeu, que têm de um modo sistemático e decisivo, vindo a contribuir para
esta realidade, assinalando, nalguns
casos, um retrocesso”. A Ordem vai ainda mais longe nas
suas críticas, declarando que a “revogação da portaria de 7 de fevereiro de 1972, relativa às instruções para o Cálculo dos Honorários, quer a
forma como é transposta para a nossa
legislação a Diretiva Europeia sobre os contratos públicos, que resulta
no Código de Contratos Públicos
(CCP), quer os projetos de proposta de lei n.º 492/2012
e 493/2012, são bem ilustrativos de um processo que em nada defende nem
incentiva a qualidade de um exercício profissional com grande impacto na sociedade e na vida dos cidadãos”. Para a OA neste momento a necessidade
de uma legislação que regule de forma “justa e adequada o ato do projeto” não
se cinge somente aos arquitetos, mas também aos arquitetos paisagistas e aos
engenheiros, dentro das suas múltiplas especialidades. Assim, a Ordem dos Arquitetos declara que “a
regulação das profissões que em áreas particulares se dedicam à saúde pública,
segurança e manutenção do ambiente, enquanto garante da qualidade de vida,
revela-se de extrema e crucial importância para a organização e funcionamento
do quotidiano da sociedade em que vivemos. Esta é uma realidade assumida e
reconhecida pelos organismos europeus, há já décadas, fazendo da Europa, apesar
da conjuntura económica/financeira que atualmente atravessa, certamente um dos melhores locais para se viver e trabalhar”. Por fim, a OA afirma que “a desregulação de uma profissão como a de
arquiteto só
poderá representar um quadro de vida mais empobrecido e mais inseguro,
colocando em causa todo um esforço de gerações em prol de um bem de manifesto
interesse público como é a realidade edificada de um país”. |

