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Condomínio obrigado a garantir segurança da estrutura que matou três estudantes
2014-04-29
A estrutura que alojava as caixas de correio da praça Vilar,
em Braga, local onde morreram na semana passada três estudantes da Universidade
do Minho (UM) era da responsabilidade do respetivo condomínio, que estava
legalmente obrigado a garantir a sua manutenção e as condições de segurança.
De acordo com o jornal Público, a estrutura
que colapsou na última quarta-feira era fonte de queixas dos moradores há pelo
menos dois anos, mas a Câmara Municipal de Braga ainda se encontra neste
momento a analisar o processo de licenciamento para perceber as condições em
que foi feita a sua construção. Devido ao seu avançado estado de degradação, as
caixas de correio acabaram por ser desativadas há vários meses, mas apesar
disso, a estrutura permaneceu na via pública, numa zona residencial onde vivem
sobretudo estudantes da Universidade do Minho. Em termos legais, a sua manutenção ou eventual
desativação era da responsabilidade do condomínio do prédio, que se
encontra a ser administrado pela empresa JM Gestão de Condomínios. No que diz respeito à legislação, a lei de
1990, que torna obrigatória a existência de caixas de correio em todos os
prédios novos construídos fora de Lisboa e Porto, é clara ao afirmar no ponto 6
do seu artigo 2º que “os recetáculos, após colocados ou regularizados, deverão
manter-se em boas condições de funcionamento, sendo as reparações posteriores
da responsabilidade dos proprietários dos edifícios, quando por eles habitados,
ou dos ocupantes, a qualquer título legal”. A Câmara Municipal de Braga e o seu
presidente Ricardo Rio, com base nesta legislação, são da opinião que “mesmo estando
a estrutura implantada em domínio público, a peça é da responsabilidade do
condomínio privado”, tendo o presidente da Câmara de Braga declarado ainda ao
Público que “aquilo não era um muro, era uma estrutura autónoma”. Assim, as caixas de correio deveriam estar
incluídas no projeto original que consta do processo de licenciamento dos
prédios em causa. No entanto, e de acordo com Ricardo Rio, a estrutura “não
consta" de nenhumas das peças do processo já analisadas pelos serviços
municipais. Apesar disso, os serviços municipais encontram-se
ainda a efetuar a análise ao processo de licenciamento, que deverá ficar
concluída na próxima segunda-feira, altura em que o presidente da câmara espera
poder dar mais pormenores públicos sobre o caso. Desde a passada sexta-feira, encontra-se
presente nas redes sociais uma carta dirigida pela empresa de gestão do
condomínio daqueles prédios à autarquia em 2009, em que alertava para o facto
de “o muro a Norte do prédio vizinho” estar “a desmoronar-se”. Essa queixa deu
origem a um processo interno da câmara, que terminou com uma notificação do
anterior vereador do Urbanismo, Hugo Pires, intimando o proprietário desse muro
a fazer obras de conservação. Segundo Ricardo Rio, no
entanto, “não é claro” que o muro referido nessa carta seja a mesma
estrutura que caiu sobre os três estudantes. |

