Empresa de vigilância Strong acusada de não pagar trabalho noturno
2014-05-08

De acordo com declarações à agência Lusa de Rui Tomé, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Serviços de Portaria, Vigilância, Limpeza, Domésticas e Atividades Diversas (STAD) a “Strong está na ilegalidade porque não cumpre com o pagamento de trabalho noturno”.

No dia de ontem, perto de 30 trabalhadores representados pelo STAD, sindicato ligado aos funcionários de vigilância privada, afeto à CGTP, manifestaram-se em Lisboa contra o não pagamento de trabalho noturno pela Strong, empresa do grupo Trivalor.

Ainda segundo Rui Tomé, em causa estão entre 2.000 e 2.500 trabalhadores da Strong, empresa de vigilância privada, a quem ficam por pagar 120 a 130 euros por mês, face a um ordenado base de 641,93 euros. 

De referir que nas regras presentes no contrato coletivo de trabalho do setor, bem como do Código de Trabalho obrigam ao pagamento de mais 25% por cada hora de trabalho noturno.

O dirigente do STAD declarou ainda que a Strong pratica igualmente “concorrência desleal” face aos concorrentes do setor quando participa em concursos públicos, uma vez que apresenta custos menores com o pessoal.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, também participou na manifestação, tendo sublinhado que o Governo não pode aceitar a participação de empresas que não cumpram todas as regras laborais nos concursos públicos que são lançados.

Num discurso proferido na manifestação, Arménio Carlos afirmou que é necessário “fazer com que o Governo assuma as suas responsabilidades e não podemos permitir que a pressão sobre os salários dos trabalhadores se faça à custa dos seus direitos”.

A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) emitiu em novembro de 2013 um parecer que é dada razão ao STAD, mas apesar disso, o sindicato aguarda que a ACT tome alguma atitude concreta.

Para além do parecer favorável da ACT, o STAD fez igualmente entrar uma ação em tribunal contra a Storng, mas o julgamento está previsto somente para o início do ano de 2015.

Os sindicalistas acusam a administração da empresa de ter agido “de má fé”, ao ter afirmado na primeira audiência em tribunal, no último mês de março, que iria chegar a acordo com os trabalhadores. 

Entretanto, e de acordo com o sindicato, a empresa voltou atrás e durante uma reunião do Ministério do Trabalho, no início de abril, informou que preferia aguardar pela decisão do tribunal.

O grupo Trivalor, que tem mais de 17.000 trabalhadores, é detido por capitais portugueses e detém um total de 17 empresas, nas áreas da vigilância privada, restauração e limpezas industriais.

Para o dia de amanhã, está prevista uma manifestação, agora da parte do STAD no Porto.



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