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Proteção de Dados mostra reservas quanto ao projeto de videovigilância na cidade do Porto
2014-06-25
A Câmara Municipal do Porto apresentou
recentemente ao Governo, após negociações com a PSP e o Ministério da
Administração Interna (MAI), a primeira proposta de instalação
de câmaras de videovigilância, mas a Comissão Nacional de Proteção de Dados
(CNPD) encontrou várias lacunas no projeto.
Para além das
lacunas encontradas, a CNPD num parecer não vinculativo, alertou igualmente
para o facto de o projeto não estar “em plena conformidade com os requisitos
legais e regulamentares aplicáveis”. De recordar que a instalação de sistemas de videovigilância em
zonas consideradas críticas da cidade do Porto fazia parte do programa de
campanha de Rui Moreira. Nesta primeira proposta avançada pela Câmara do Porto, prevê-se a
instalação de quatro câmaras na zona de animação noturna da Baixa portuense,
por um período experimental de três meses, sendo intenção por parte do
município que as câmaras entrem em funcionamento no decorrer do verão deste
ano. Assim, e para cumprir as suas pretensões, a autarquia portuenses
enviou a sua proposta para o MAI que, por sua vez, a fez chegar à CNPD, já que legalmente
para poder aprovar a instalação de um sistema de videovigilância num local
público de utilização comum, o MAI necessita de um parecer da CNPD. Segundo o parecer da CNPD, existem questões de ordem técnica
relacionadas com o tipo de câmaras previsto e o modo como as imagens recolhidas
serão tratadas e armazenadas. A CNPD é da opinião que uma das câmaras que o
município pretende utilizar, neste caso uma tubular fixa, “permite obter um
conjunto de informação que não pode ser utilizada” e, no caso de uma outra
câmara, concretamente um tubular térmica, a “falta de informação” não permite
“verificar se o sistema garante plenamente o cumprimento (da lei)”. A CNPD refere
igualmente no parecer que ainda não está definido como é que as imagens serão
encriptadas ou em que condições serão armazenadas pela PSP, pelo que concluiu
que “o processo de transmissão e conservação dos dados e as medidas de
segurança, tal como descritos na fundamentação que acompanha o pedido, não
garantem os níveis de segurança adequados”. A proposta da
Câmara Municipal do Porto prevê a instalação de quatro câmaras na Praça Guilherme
Gomes Fernandes/Praça de Parada Leitão, na Rua de Cândido dos Reis e na Rua da
Galeria de Paris, sendo que o município encontra-se também a estudar a
possibilidade de instalar videovigilância noutras zonas da cidade, sendo que não
existe qualquer outra proposta apresentada à CNPD. Para além da
proposta apresentada à CNPD e a possibilidade de instalação de câmaras de
videovigilância noutras zonas da cidade, o município do Porto está igualmente a
estudar a instalação de um sistema complementar, que está a ser trabalhado em
parceria com a Universidade do Porto, no âmbito do projeto Future Cities, que
permita monitorizar algumas zonas da cidade sem recurso às câmaras normais. De referir que
a cidade do Porto foi a primeira do país a possuir um sistema de
videovigilância instalado nas ruas. Entre novembro
de 2009 e maio de 2011, a zona da Ribeira esteve sujeita à observação de 14 câmaras,
numa iniciativa que surgiu por parte da Associação de Bares da Zona Histórica
do Porto (ABZHP), e que contou com o apoio da Câmara Municipal do Porto e da
PSP. De acordo com
os dados apresentados, a criminalidade na zona terá caído 9,8, entre novembro
de 2009 e junho de 2010. Mas a verdade é que devido aos custos inerentes ao sistema e ao facto de
a legislação em vigor só permitir que as câmaras funcionassem entre as 21:00 e
as 07:00, em vez de 24 horas como era defendido pela ABZHP, levaram a que a
Associação desligasse o sistema, em maio de 2011. |

