ADSA alerta para falhas de segurança em discotecas temporárias
2014-07-18

A Associação de Discotecas do Sul e Algarve (ADSA) alertou ontem para a abertura de espaços de diversão noturna temporários no Algarve sem condições de segurança. A ADSA responsabiliza as autarquias, a Proteção Civil e a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) pela situação.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a ADSA dá como exemplo os anúncios de abertura nas próximas semanas de um espaço no centro de congressos de um hotel em Vilamoura e de outro em Vale do Lobo, ambos em Loulé, apesar de este último ter sido embargado pelo município.

Em declarações à Lusa, Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, assegurou que a autarquia tem respeitado a legislação vigente, licenciando o que é possível à luz da lei dos recintos improvisados e da lei do ruído e indeferindo os que não são passíveis de serem licenciados.

De acordo com o autarca, em Vilamoura estão licenciados um espaço junto à marina, que já abriu ao público, e outro que funciona no antigo hipódromo local e cuja abertura está prevista para o dia de amanhã. Também em Vilamoura, outros dois espaços, um ainda sem data de abertura anunciada e outro que irá funcionar de 25 de julho a 23 de agosto, encontram-se em processo de licenciamento. O espaço em Vale do Lobo foi embargado pela Câmara Municipal de Loulé por se encontrar localizado numa zona de reserva agrícola.

A ADSA avançou, tendo por base um parecer de um técnico de proteção civil, que existem falhas de segurança na discoteca localizada no centro de congressos de um hotel em Vilamoura, com capacidade para 1.320 pessoas, mas cuja lotação ultrapassa esse número quando funciona como discoteca sazonal.

No comunicado enviado à Lusa, a ADSA refere explicitamente que “denunciou estes factos à Câmara Municipal de Loulé, à ASAE e à Proteção Civil Regional e Nacional responsabilizando estas entidades pelo que possa acontecer”.

Para o presidente da Câmara de Loulé, a atuação por parte dos empresários de discotecas da região, é uma manifestação de angústia legítima, uma vez que estas empresas são “empresas da região que trabalham ao longo de todo o ano e que quando chega a época alta, em que poderiam recuperar algum prejuízo da época baixa turística, se deparam com a concorrência destes espaços temporários”.

O porta-voz da ADSA lamentou ainda o facto de a autarquia de Loulé atribuir licenciamentos como inevitáveis à luz da lei, recordando que em outubro de 2013 a Assembleia da República aprovou uma resolução sobre a convivência das discotecas e os espaços temporários.

Nessa resolução é recomendado ao Governo que crie regras que impeçam que licenças de espaços temporários coloquem em causa a sustentabilidade de empresas que trabalham regularmente e que se empenhe para que as regras de funcionamento sejam mais justas.

A mesma fonte da ADSA garante que, apesar de este tipo de espaços de animação noturna estarem muito concentrados no concelho de Loulé e no centro algarvio, existem mais situações, tanto no sotavento como no barlavento algarvio.



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