Dados dos cidadãos na Administração Pública poderão vir a ser geridos por privados
2015-04-02

O Governo pretende guardar as bases de dados dos cidadãos portugueses que se encontrem na Administração Pública na “cloud”, para que a informação possa ser acedida através da internet, podendo a mesma vir a ser gerida por entidades privadas.

De acordo com o portal Notícias ao Minuto, que cita o jornal Económico, o diploma onde são explicitados os princípios e as regras de utilização deste tipo de serviços já se encontram estabelecidos, tendo, inclusivamente, merecido o parecer crítico da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD).

Ainda segundo o Económico, ao analisarem o diploma, os responsáveis da CNPD referiram que do mesmo ressalta “um excessivo acentuar do fator económico e financeiro”, dando destaque à necessidade de realização de estudos prévios que permitam avaliar o impacto desta migração, para gestão privada, dos dados dos cidadãos.

Mas para além deste facto, o parecer da CNPD realça ainda ser importante “reforçar nesta sede que na ponderação dos custos e benefícios deve também pesar a natureza da informação que se pretende conservar ou comunicar por via dos serviços a adquirir”.

Já por seu lado o Governo, na voz de Joaquim Pedro da Costa, secretário de Estado da Modernização Administrativa, garantiu que as recomendações da CNPD estão a ser tomadas em conta.

“As preocupações da CNPD são muito relevantes e estão a ser analisadas no processo legislativo”, garantiu Joaquim Pedro da Costa ao Diário Económico, afirmando que o diploma está a ser trabalhado para ser discutido, em breve, em Conselho de Ministros.  

O Económico avança ainda que vários organismos públicos estão a trabalhar em conjunto para encontrar a solução mais adequada que permita colocar em segurança as bases de dados do Estado na “cloud”, sendo a Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública (ESPAP) e o Centro Nacional de Cibersegurança (CNS) dois dos organismos que têm trabalhado em conjunto para criarem o novo diploma do Governo. 

Em declarações ao Económico, Jaime Quesado, presidente da ESPAP, afirmou que "um “data center” da administração pública deverá ter mecanismos de gestão da informação altamente sofisticados em termos de flexibilidade e segurança", acrescentando ainda que "as questões de segurança são absolutamente centrais e por isso a Rede Operacional de Serviços Partilhados tem envolvido o Centro Nacional de Cibersegurança na sua agenda".

O projeto, que se encontra ainda numa fase inicial de desenvolvimento, deverá, segundo Jaime Quesado, "dar prioridade aos recursos e competências que a Administração Pública detém e, em caso de necessidade, encontrar soluções complementares de parceria adequada, que possam trazer valor e inovação".



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