Videovigilância no Bairro Alto deteta mais crimes em 2014 do que no ano anterior
2015-05-28

A instalação de um sistema de videovigilância no Bairro Alto permitiu a deteção de mais crimes em 2014 do que em 2013, aumentando por essa razão, os valores da criminalidade no local.

A notícia foi adiantada pela agência Lusa que falou com o subcomissário Hugo Abreu, porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da PSP. “A criminalidade que registamos no dia-a-dia manteve-se, mas foram detetados mais crimes devido à ação das câmaras de videovigilância”, declara.

Faz nesta sexta-feira um ano desde que o sistema de videovigilância foi acionado no Bairro Alto, sendo que o contrato para a sua instalação foi assinado pelo município em Outubro de 2012.

As 27 câmaras instaladas permitem a visualização de imagens em tempo real, funcionando entre as 18h00 e as 07h00. As imagens podem servir como “meio de identificação e prova”, esclarece Hugo Abreu à Agência Lusa. O comando é o único com acesso às imagens pelo que, caso seja detetada alguma emergência, ele próprio ativa os meios necessários para o local.

A PSP revela que o número de crimes registados entre maio e setembro do ano passado baixou de 66 para 50, tendo aumentado para 77 em outubro e baixado para 62 em novembro. Já em dezembro registaram-se 66 crimes.

No entanto estes números refletem um acréscimo em relação ao ano anterior. A título de exemplo, em dezembro de 2013 verificaram se 36 crimes, face aos 66 verificados este ano.

Em comunicado à Lusa, a PSP faculta os valores da criminalidade violenta e grave, que também aumentaram face ao ano passado, contabilizando-se no entanto, menos de uma dezena.

A presidente da Junta de freguesia da Misericórdia, Carla Madeira, afirma que as câmaras de videovigilância dão “mais segurança a quem circula do que a quem reside”, já que nas horas em que o sistema está ativo, a maioria dos moradores já se encontra nas suas casas.

Muito embora se admita o efeito dissuasor e a utilidade da videovigilância, em específico nos casos de violência, “a população não se sente 100% segura”, assim o confirma Luís Paisana, presidente da Associação de Moradores do Bairro Alto. Confessa também à Lusa “alguma frustração” relativamente à falta de “resultados práticos” do sistema.

Carla Madeira sublinha que um dos principais problemas do Bairro Alto continua a ser o tráfico de droga. Contudo, nesta situação a PSP acaba por não poder intervir, já que em muitos casos não se trata “droga verdadeira” mas sim de “louro e farinha”.

Hilário Castro, presidente da Associação de Comerciantes do bairro Alto refere que esta realidade se tem vindo a agravar. “Não há turista nenhum que passe pelo Bairro sem ser abordado para comprar cocaína e haxixe”, lamenta.

Carla Madeira e Hilário Castro argumentam que a solução passa por mais agentes na rua e alterações na legislação, para que não se transmita uma “imagem degradante” do Bairro Alto.

Neste ponto, Hugo Abreu defende que ainda é muito cedo para “concluir que a videovigilância tem impacto nas investigações de tráfico”.

Foi requerido pela Lusa, à Câmara de Lisboa, um balanço do primeiro ano de funcionamento do sistema de videovigilância do Bairro Alto, sendo que não se obteve resposta até ao momento.




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