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Engenharia e Arquitetura são os cursos com mais licenciados no desemprego
2015-07-27
Segundo as estatísticas avançadas pelo ministério, há 81 cursos que garantem total empregabilidade a diplomados, sendo que Medicina está no topo e Engenharia Civil é o que tem menos perspetiva de integração no mercado de trabalho. Começam hoje a ser preenchidas as candidaturas para o ensino superior. Perante uma oferta vasta, o fator empregabilidade ganha preponderância. Se por um lado as melhores garantias de emprego residem no curso de Medicina, por outro Engenharia Civil, Economia e Arquitetura são alguns dos cursos com maior número de licenciados desempregados. Sabe-se que em junho de 2014, 282 licenciados em Engenharia Civil do instituto Superior Técnico estavam à procura de trabalho. Em conformidade com dados mais recentes da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, o curso de Engenharia Civil contabiliza 4076 diplomados entre 1983-2014 e é o que tem o maior número de inscritos nos centros de emprego. Numa situação semelhante, surgem ainda outras três licenciaturas em Engenharia Civil e quatro em Arquitetura. O bastonário da ordem dos Engenheiros acredita que a dificuldade em conseguir emprego na área relaciona-se com "a crise na construção civil, a dificuldade que muitos engenheiros têm em deslocar-se para o estrangeiro e a crise em Angola, que afetou as empresas de construção civil." Carlos Matias Ramos relembra: "em 2008-09 tínhamos quase 1500 inscritos nos cursos de Engenharia Civil, um cenário que mudou com a crise. No ano passado, inscreveram-se menos de 200 na primeira fase". Criou-se na sociedade, a convicção de que ir para um curso de Engenharia Civil é ir para o desemprego, acrescenta Carlos Ramos. Com a redução do número de candidatos ao curso, e "os indícios de que a construção civil está a evoluir positivamente, poderá, a médio prazo, existir falta de profissionais em Portugal”. Pelo contrário, os cursos de Medicina continuam ser os que têm maior empregabilidade. Os dados enviados às universidades e politécnicos pelo Ministério da Educação e Ciência, revelam que 81 cursos garantiram, no ano passado, total empregabilidade. A Universidade do Minho, por exemplo, tem cinco cursos com uma taxa de desemprego nula. Em comunicado ao DN o reitor, António Cunha, demonstrou-se apreensivo relativamente à análise dos dados: "é perigoso tirar conclusões a partir destes dados, quer para dizer que um curso tem empregabilidade quer para dizer que não tem", sublinha, “não faz sentido tirar conclusões sobre cursos que têm pouco tempo, ou que têm poucos alunos." De acordo com o reitor, "as taxas de desemprego têm mais que ver com o que se passa em cada região do que com a qualidade dos cursos, pelo que esta análise devia ter em conta a realidade regional.” |

