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Construção: regressam de Angola 500 portugueses por mês
2015-08-05
O presidente do Sindicato
da Construção de Portugal, Albano Ribeiro, divulgou que estão a regressar mensalmente
a Portugal 500 trabalhadores deste setor, vindos de Angola. Esta situação
deve-se aos salários em atraso em mais de 200 empresas portuguesas que ali
operam.
Em declarações à Lusa, o
sindicalista adianta: “só de trabalhadores ligados à construção estão, desde há
cerca de três meses, a regressar de Angola 500 por mês e isto vai aumentar muito mais se
não forem tomadas medidas”, relembrando que para além destes, “há muitos mais” portugueses
a regressar pertencentes a outros setores de atividade. Albano
Ribeiro foi também questionado acerca do Relatório da Comissão de Mercado de
Valores Mobiliários (CMVM) – o qual identifica a quebra de exportações para
Angola e Brasil como um motivo para o regresso de inúmeros trabalhadores de
empresas portuguesas a Portugal, resultando numa sobrecarga para a Segurança
Social e num entrave à recuperação económica. Confrontado com estas informações,
considerou não ser “nada de novo”. Acrescenta,
“ainda hoje [31 de julho] pedimos uma audiência urgente com o secretário de
Estado das Comunidades, porque há situações de até quatro salários em atraso em
Angola e já há trabalhadores que nem lá nem aqui conseguem sobreviver”. O presidente
do sindicato acredita que “muitos dos
emigrantes que agora estão a vir de Angola para Portugal “vão ter de acabar por regressar outra
vez, porque em Portugal não
há trabalho e um operário qualificado ganha 545 euros”. “Lá ganha,
no mínimo, 2.000 euros por mês”. Para além disso, refere
Albano Ribeiro, muitas das obras suspensas em Angola “vão ter de ser retomadas,
porque são muitas pontes, autoestradas e habitações que foram destruídas na
guerra, o que vai criar, ainda, muitos mais milhares de postos de trabalho”. |

