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Incêndios: 90% têm origem humana
2015-08-13
Esta terça-feira, o comandante operacional nacional de operações de socorro da Protecção Civil, José Moura, apelou aos portugueses para que tenham mais cuidado com o uso do fogo no verão, revelando que "90% dos incêndios são de origem humana”. Em entrevista à Lusa, o comandante adiantou: “há todos os dias algumas dezenas, centenas de pessoas que, de forma negligente ou descuidada ou por dolo, colocam fogo na nossa floresta. E isto é um trabalho de todos". Refere como exemplo que o uso da maquinaria agrícola poderá dar origem a incêndios. "Nós temos uma prática do uso do fogo, dos nossos costumes que tem de ser muito repensada, tem de haver muitas ações de sensibilização junto das populações", declara José Moura. De acordo com os dados da ANPC, cerca de 40% dos incêndios têm origem durante a noite, o que sugere, tendo em conta a hora, não serem de causa natural. "Temos incêndios a começar à meia-noite, uma, duas, três e quatro da manhã. A todas as horas do dia há o início de ignições. É, de facto, francamente estranho", sublinha o comandante operacional. Ressalva também a importância de “todos os que têm apetência para ações criminosas no âmbito dos incêndios florestais serem detidos". A este propósito, a GNR divulgou que até 6 de agosto deste ano, já foram detidas 48 pessoas pelo crime de incêndio florestal, contabilizando mais nove do que no período homólogo de 2014. Ainda em comunicado à Lusa, José Moura destaca que a “grande dificuldade” que o dispositivo de combate tem enfrentado este ano é a "a baixa de humidade dos combustíveis finos", ou seja, a secura da vegetação rasteira que tem provocado uma velocidade de propagação dos incêndios muito elevada. "Em condições normais, a propagação de um incêndio dava tempo ao dispositivo de reagir e resolver mais cedo esses incêndios. Agora se não estamos logo em cima com meios, sejam meios aéreos ou terrestres, a possibilidade de nós o perdermos é grande, sobretudo se há simultaneidade", esclareceu. "Havendo 10, 15, 20 grandes incêndios em simultâneo, é evidente que o dispositivo vai dispersando para conseguir chegar a todos, é claro que esta dispersão perde qualidade no combate" reforçou o comandante, salientando a utilização "extensiva" das máquinas de rasto, às quais já se recorreu perto 200 vezes este ano. As máquinas de rastos, conclui, "acabam por ser uma ferramenta muito interessante porque permitem a abertura de caminhos e de acessos para os operacionais poderem chegar às diferentes frentes de fogo". |

