Polícias sujeitos a riscos psicológicos elevados
2015-09-07

Um estudo revelou que os jovens agentes da PSP colocados em Lisboa apresentam, no seu primeiro ano de serviço, “bom estado psicológico “ e “realização profissional boa”. Contudo, à medida que vão sendo colocados no terreno, o seu estado psicológico vai deteriorando, podendo no limite, levar ao suicídio.

De acordo com a Lusa, o estudo foi realizado pela investigadora Cristina Queirós da Faculdade de psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto em conjunto com psicólogos da Divisão de psicologia da PSP.

Subordinado ao tema “ Burnout e indicadores psicopatológicos em polícias”, o estudo indica que a progressão do mal-estar psicológico, cansaço emocional e o stresse crónico no trabalho aumentam à medida que os operacionais vão sendo integrados no terreno. Segundo a investigadora, isto deve-se ao facto destes serem confrontados com “mais exigências emocionais” e “cada vez menos recursos”, principalmente no atual momento de crise.

À medida que realização profissional e a motivação para as tarefas vai diminuindo, a exaustão emocional aumenta, proporcionando o aparecimento do Síndrome do Burnout.

Este síndrome acontece, regra geral, a meio da carreira - entre os 10 a 15 anos de atividade – sendo que no fim da carreira não é tão notório, já que muitos agentes mudam de profissão.

A investigadora alerta ainda para a questão do suicídio na força policial, “um problema dramático”, dado que estes profissionais têm acesso fácil a armas, o que não acontece tão facilmente noutras profissões. “Num momento de desespero, um polícia pega na arma e é muito mais eficaz”, refere.

Este e outros estudos científicos serão apresentados no III Congresso Internacional sobre Condições de Trabalho, que irá decorrer na próxima quinta e na sexta-feira, no Porto.



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